Gênesis do preconceito. Preconceito embutido na obra do Maurício de Souza

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Eu poderia escrever um texto com base em argumentações científicas e tal. Mas eu prefiro falar em nome da mãe que sou. Uma mãe expatriada. A gente que mora no exterior fica tão feliz em ler em português para nossos filhos. O português fica como a língua de herança e queremos através da literatura criar um vínculo afetivo com a língua. Também falo em nome da menina que fui, que com cinco anos aprendeu a ler nas revistinha da turma da Mônica. Existe uma memória e um vínculo afetivo em relação a turminha. Porém fica também aquela decepção no ar, quando a gente vê que o tempo passou mas alguns estigmas permanecem. Não adianta incluir os novos meios digitais na vida da turminha, se o padrão de vida continua como no século passado. Vi que existe projetos de inclusão de personagens gays, personagens com deficiência, soropositivo etc. E isso é bem legal. Mas como pode a mesma revista reforçar preconceitos subtendidos nas histórias em outras obras?

Vamos lá ao que está me indignando tanto: Eu comprei uma coleção de releitura das historinhas infantis clássicas. uma delas foi o Soldadinho de Chumbo. Na história o dono do soldadinho é o menino abaixo. Reparem que a pele é clara, cabelos claros, lisos e tal. Imagino que ele seja uma personagem nova da Turma.

 

Pois bem, até aí não há nada de mal na história. Ela continua e o soldadinho se perde. Agora adivinhem quem foi que encontrou o soldadinho? A cozinheira da família.

Eu sei que na história original era uma cozinheira que achava o soldadinho. Mas isso é uma releitura. Quantas famílias no Brasil conseguem manter uma cozinheira? Porque não trazer a obra para uma realidade mais próxima. Porque cargas dágua numa releitura tinha que ser a empregada/cozinheira quem acha o soldadinho de chumbo? Porque dar continuidade a uma cultura de exploração? Eu moro na Alemanha e odeio falar que isso ou aquilo é melhor aqui. Mas de fato aqui é cada um por si, cada um cuida de suas casas. Não é uma realidade isolada você ver homens trabalhando de forma ativa para manter a casa organizada junto com a esposa sem aquele rótulo de “pai ou marido que ajuda”. Qual o papel narrativo para a história determinar que a cozinheira foi quem achou o soldadinho dentro dessa releitura? Não seria até mais interessante, se o livrinho mostrasse pai e filho na cozinha preparando o jantar juntos e de repente (tcharam!!!) eles acharem o soldadinho na barriga do peixe? Que tipo de sociedade as organizações Maurício de Sousa querem apoiar para as famílias brasileiras? Uma sociedade colaborativa, onde todo mundo que vive na casa se sente parte dela e justamente por isso se dedica para que ela esteja limpa, arrumada, para que a comida seja feita… Ou uma sociedade de exploração da mão de obra dos mais pobres para que se mantenha o estilo de vida onde o homem não tem obrigação nenhuma com a casa e os filhos e para que as mulheres consigam sobreviver com sua dupla jornada, elas precisem recorrer a essa mão de obra explorada?

E aqui entra o terceiro ponto, olha o cabelo da “cozinheira”! Já dedura o que eu falei alí em cima. Persiste a ideia da casa grande e senzala, a ideia de que os brancos estão alí para serem servidos pelos negros e mestiços. Que triste!

Na hora que eu abri essa página e comecei a ler para minha filha, meu coração disparou. Eu fiquei nervosa, enquanto lia e minha reação foi a de trocar o cozinheira por tia. Terminei de ler incrédula. Como uma historinha assim é aprovada? Onde estão os revisores? Cadê o Maurício, que tem se orgulhado tanto dos projetos de inclusão, mas que não percebe o tiro no pé que foi essa edição, reforçando estereótipos, reforçando a cultura da exploração étnica? Insisto na pergunta: É esse o Brasil que queremos propagar para nossos filhos? É esse o Brasil que nós que moramos fora, queremos apresentar a eles?

Eu prefiro apresentar um país onde há sim problemas, mas que as pessoas tem feito de tudo para melhorar. Mas quando a gente vê o nosso maior artista nesse universo infantil produzindo conteúdos assim, fica difícil…

Frustrações maternais

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Como vibrou com a patinação de gelo!

Televisão, nem pensar! Só depois dos dois anos. Ou não?

É gente, como lidar com a frustração de ter paradigmas quebrados um atrás do outro? Aquelas regras idealizadas que na prática não funcionam tão bem nos levam a beira da loucura sabe? 

Hoje aconteceu comigo. Mais uma vez… Passamos mais uma noite dormindo muito mal. Ela inquieta, pegava e largava o peito freneticamente. Tentava dormir, não conseguia. Voltava para o peito. e assim foi nosso ritmo noturno das uma e pouco às 4 da manhã, quando ela finalmente dormiu. Eu já não tinha dono, estava faminta e com sede, então levantei, fiz um chá, e comi alguma coisa. Aproveitei pra ler até meu marido levantar. Voltei para o quarto e ela acordou e passamos a  manhã tentando dormir. Mas não dormimos. E para o dia eu precisava finalizar a diagramação de um livro de fotografia que peguei de freela para fazer. Como sabia do trabalho que tinha, aproveitei a manhã com ela, saímos, brincamos muito tempo lá fora e quando voltamos ela já estava toda sonolenta e quis dormis sem almoço. Tudo parecia perfeito até ela não aceitar que eu saísse de perto dela. Só dormia enquanto mamava. Eu já estava faminta novamente, já eram quaseuma da tarde e nada de eu conseguir sair para comer. Aí juntou sono, fome e eu tive que tirá-la fo peito e deixá-la chorar. Doeu tanto. Chorei com ela. São momentos assim que nos mostram como somos insuficientes, impotentes. Tentei falar com ela que eu precisava comer e ela só chorava. Então veio a idéia. Liguei a TV procurei por documentários de bicjinhos, pois ela ama bichos. Mas não tinha muita coisa. Até que achei esse canal de esportes passando patinação de gelo. Ela ficou vidrada e eu consegui comer e trabalhar. Mas extremamente frustrada com a maneira que encontrei de tê-la quieta. Por fim ela chorou muito novamente. a levei pro quarto e ela então dormiu. E eu terminei meu trabalho. 

Não existe maternidade perfeita e aos poucos eu estou tentando aceitar isso.

Livro bilíngue de contos brasileiros em português e alemão

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O capítulo As Travessuras do Saci é de minha autoria.

Mamães que moram fora do Brasil sabem do desespero que é montar a bibliotequinha das crianças com livrinhos em português, de preferência do Brasil. Pois bem, há alguns anos, lá por meados de 2008, eu participei do projeto de contos populares brasileiros, organizado pela organização íbero-americana em Jena – a Iberoamerica. O livro teve participação em grande parte de estudantes da Friedrich-Schiller-Universität Jena, tanto brasileiros quanto alemães. O livro  foi publicado pela editora Clandestino Publikationen e faz parte da Coleção Curumim. Ele é um livro delicioso de se ler, com textos de um lado em português e do outro e alemão, para oferecer às crianças a oportunidade de ouvir as lindas histórias nos dois idiomas. A ilustração foi feita por crianças de uma escola em Jena. Quer mais fofura que isso?

Eu escrevi a última história do livro, As Travessuras do Saci. Nele o Saci acaba por se perder no reino encantado da rainha Bela depois de tomar muito Guaraná e causar um furacão. Eu tentei unir todo o universo encantado que as crianças estão acostumadas nas historinhas tradicionais com algumas histórias, como a origem do Saci no bambuzal. A história se passa nos dias atuais, um Saci cansado de viver no interior onde suas travessuras já não são mais nenhuma novidade.

Mas é claro que no livro há muitas outras histórias típicas que a gente ouve na infância, como a Iara, Festa no Céu, Caipora…

Para quem quiser adquirir o livro, é só entrar na página da editora Clandestino. O livro custa 18,50€ e parte do valor arrecadado vai para a organização iberoamerica que tem um trabalho muito importante em divulgar e promover a cultura iberoamericana aqui na Alemanha.

Fantasias e sonhos infantis devem ser valorizados e incentivados em sua essência, pois podem servir de base para a realização de feitos futuros.A coleção Curumim traz para a sua criança o imaginário dos mundos de língua portuguesa e espanhola, apresentando os mais belos contos populares.

Amor de mãe e de bebê

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É aquele momento incrível, inesquecível. O coração palpita, parece querer sair pela boca. As pernas tremem, a pupila dilata. É amor, muito amor. Ela olha para mim e com os movimentos ainda não tão bem coordenados tenta levar a fruta na minha boca. A primeira vez que sua criança te oferece e te dá comida na boca é inesquecível. Eu dou uma mordida na fruta e ela puxa a fruta e bate com as mãozinhas (uma segurando a fruta) na barriga dando risadas e gritinhos alto. Olha pra mim com um ar divertido. Oferece de novo e a cena se repete.

É tão gostoso receber esse carinho genuíno. Sem cobranças, sem esperas, sem expectativas. Vem e vai como veio. Li outro dia num desses posts de páginas de maternagem uma frase que dizia que nunca seremos tão amados por eles como somos agora (que eles são bebezinhos, pequenininhos, acho que se referia a essa primeira infância). Eu não consigo concordar com essas frases de efeitos produzidas. Como medir o amor? Desde que ela nasceu eu me pergunto: Será que ela me ama. Me desculpem mas acho que a última coisa que um bebê recém nascido sente é amor. Ele sente fome, frio, sono, cólicas, medo… Ele vive do instinto de sobrevivência. O bebê é instinto puro. O amor é construído no dia a dia dele. De acordo com a maneira que seus pais vão de encontro com suas necessidades guiadas por instinto então forma-se o laço de amor. Às vezes eu me achava meio idiota por ficar perguntando para ela, um bebê de duas semanas, se ela me amava. Precisava mesmo daquilo? Bastava que eu a amasse e pronto! O amor flui, sai de mim, de nós, e vai para ela.

Hoje com um ano eu acredito que minha filha sinta sim amor por mim e pelo pai dela. E eu espero construir uma relação de amor saudável com minha filha, mas acredito que ao crescer esse amor que ela hoje sente vai mudar (não diminuir, mudar apenas). Hoje ela ama dentro de um universo que ainda não conhece minhas falhas, ela ainda não tem uma opinião diferente da minha quanto a algum assunto. Então o amor que ela direciona a mim ainda é um amor quase que direcionado a ela. Ainda não nos dividimos em duas pessoas. Estamos no processo, mas ainda falta um bom percurso. Então vivenciamos um amor genuíno e sem julgamentos. Gostaria que continuasse assim. Mas prefiro que no futuro ela possa sentir tanto amor por mim ainda, apesar de… Pois para mim, amar é isso, é ter o amor alí mesmo com o “apesar de…”.

A libélula azul

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Fraldas de pano

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Atenção: Sim eu uso fraldas de pano, foi uma escolha minha e isso não faz de mim uma mãe melhor que outras mães, apenas mais uma mãe diferente de outras no mundo.

Então, fraldas de pano. Sim é possível. Sim, nós podemos (lembrei do logo “yes, we can!). É engraçado, pois até um tempo atrás, usar fraldas de pano era algo normal. Hoje, ao falar que você escolheu usar fraldas de pano no seu bebê, você tem a sensação de estar sendo perseguida por olhares desconfiados e julgadores. Na Áustria o próprio governo apóia o uso de fraldas de pano e paga uma parte do investimento aos pais. As pessoas compram as fraldas e levam a nota fiscal até a prefeitura e podem receber em torno de 100 Euros do valor de volta.

Você pode se perguntar se vale a pena. Vale muito. Minha filha ficou até os seis meses sem sofrer de assadura. Depois que ela começou a comer, vez ou outra ela tem assadura. O bom de usar fraldas de pano é que você não vai chegar naquela situação de de repente lembrar que as fraldas estão acabando e ter que sair correndo para o supermercado antes que ele feche (na Alemanha, onde eu moro, os supermercados costumam fechar às 20:00 e não abrem aos domingos. Imaginem o desespero!).

E não, você não vai precisar lavar fraldas todo dia. Eu junto fraldas de até 4 dias aqui em casa. Coloco num balde, não fecho a tampa e assim não dá cheiro ruim. Pamper sim, dão cheiro bem forte!

Além disso as fraldas de pano hoje são mais fáceis de usar do que antigamente. Abaixo um video com um dos tipos de fraldas que eu uso.

Esse tipo eu uso como fralda noturna, por isso acrescento uns absorventes a mais para não deixar que meu bebê fique muito molhado a noite.

É possível usar apenas os absorventes e a calça plástica durante o dia. Por cima do absorvente eu coloco um paninho de poliéster que deixa o bumbum do bebê sequinho. E por cima dele um Liner, uma folhinha de papel própria para prender o cocô.

Abaixo o video. Perguntas?

Podem fazer nos comentários!

Pode ser que as fraldas de panos não seja uma alternativa para você. Mas é legal saber como são as fraldas atuais para não ficar com aquela cara assustada quando alguém que você conhece dizer que usa 😉

Ser mãe é…

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Ser mãe é…
Sorriso e lágrima.
Uma diáspora de certezas.
Medo que segue empurrando a fé.
Fé que é o escudo da dor, dos anseios e do desespero.
A mulher que existia antes do parto, já não existe mais.
O bebê que segurei pela primeira vez nos braços, já não existe mais.
Cada dia nos conhecemos melhor.
Cada noite nos desconhecemos novamente.
Nos desenvolvemos juntos. E seperados.
Compartilhamos mudanças e descobertas.
Uma simbiose que se estende ao infinito.
Nascem fronteiras.
Limitam a simbiose, mas ela não deixa de existir.
E os ponteiros correm com a correnteza.
Na cachoeira cai a água. Da água faz-se tempo.
Na pedra fura-se o amor, bem profundo.
E então vira areia, viaja e se sedmenta noutro lugar.
O que é bom se dispersa, é diáspora do bem.
Ser mãe é praticar o apego.
Ser mãe é desapego.

Por: Camilla Saloto

A Idade Média e a superficialidade dos termos

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Achei entre meus documentos em e-mails um trabalho sobre dialética que apresentei no início do meu curso da UFES. Algumas coisas eu ainda concordo, mas me atentei para a visão equivocada que as escolas e os livos de história nos passam sobre a Idade Média, ainda mais depois da conversa que tive com minha amiga Fabiana Pedroni, mestra na área de arte medieval pela USP.Eu falei com ela que às vezes parecia que a gente estava retornando à Idade Média. E ela me fez uma correção que me mostrou, o quanto, apesar de hoje já ter mais bagagem de conhecimento sobre o assunto, eu continuo amarrada a simplificações de termos que são bem complexos.
Quando eu estava escrevendo meu tcc do bacharelado e pesquisando sobre as relações entre muçulmanos na história e europeus, ficou claro, ou melhor evidente, de que a Idade Média como temos em mente, não ocorreu da mesma forma em todos lugares. Se havia estaticidade em determinados países (países hoje, que na época eram apenas reinos indepentendes uns dos outros), em outros o comércio e o câmbio de ideias não pararam. Estou escrevendo isso sem presunção de ser historiadora, então sem fazer aquela divisão clássica que se aprende na escola. Mas me interessou ler uma visão ingênua de uma menina que tinha acabado de sair da escola para sentar numa cadeira universitária, com uma lacuna enorme de conhecimento e visão crítica em relação aos professores e outros colegas de curso.
A invasão dos Mouros trouxe muito mais benefício aos países invadidos como Portugal e Espanha, do que malefícios. Encontrei livros que descreviam a pacificidade nas relações entre cristãos, judeus e muçulmanos. As Grandes Conquistas se devem a essa invasão. Com parte dos domínios espanhóis e portugueses ocupados, além disso despertar a idéia de indentidade nacional na corte, também possibilitou a importação de conhecimento, de ciência e de técnicas que vinham do oriente. Pois lá, a Idade Média, como temos em mente, nunca existiu e a ciência, a filosofia e o conhecimento continuou se desenvolvendo. Assim como pelo menos parte do que hoje é a Itália, também não se encaixa completamente dentro da ideia de feudalismo que aprendemos. A República Sereníssima de Veneza era centro do comércio com o Oriente, e em determinada época era uma cidade fiel aos bizantinos e ficou sob comando dos árabes, então imaginem! Era o lugar onde tudo acontecia, era de lá que chegava produtos e ideias de longe.
As cruzadas também possibilitaram uma troca com o oriente. Não entrando nos detalhes da guerra em nome de Deus aqui, e os interesse financeiros e religiosos etc, etc, etc, fica claro que através delas a Europa ganhou no campo intelectual se espelhando na arte e na arquitetura. A arquitetura gótica é por exemplo uma inspiração, ou melhor uma reflexão da arquitetura oriental, dentro de um ambiente europeu.
Aí você me pergunta: Você quer dizer que aquela visão de Idade Média feudal que a gente pode ver nos filmes de Robin Wood, não existiu? Não, não é isso que eu quero dizer. O que eu quero dizer é que ela existiu TAMBÉM. Mas que a Europa inteira não viveu isso da mesma maneira, em todos os lugares. Não era essa a realidade de toda a população europeia durante todo o período da idade Média. Se houve um rompimento com a Idade Média para a Idade moderna, não foi um rompimento bruto. Não foi assim que de um dia para o outro alguém chegou e disse: Ei, isso aqui tá muito chato, vamos mudar? Foi um conjunto de acontecimentos, de trocas, que levaram a isso.
Incrível como um dia uma conversa nos puxa para atentar a algo e no outro um texto (que também faz parte de uma conversa entre o leitor e o que está escrito) nos leva a observar a minha relação de superficialidade diante do mesmo assunto. Bem que Platão defendia o diálogo. ele relamente é enriquecedor. Obrigada pelo diálogo Fabiana, precisamos talvez, quem sabe, fazer uma compilação para que ele não se perca e daqui uns anos a gente o possa escutar e tirar mais juízos do que a gente foi um dia.

Versão cefálica externa

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O bebê virou (2) versão cefálica externa

No post anterior eu contei de quando minha filha saiu da posição ideal para nascer e ficou na apresentação pélvica, que significa nada mais, nada menos, que o bebê ficou de bumbum para baixo na barriga. Minha médica tentou me tranquilizar dizendo que não era para eu me preocupar, pois ela ainda tinha espaço suficiente na barriga para virar. Eu fui para casa e comecei a pesquisar o que fazer. Achei esse site Wikihow que dá idéias de como “ajudar” o bebê a ir para posição correta. É claro que qualquer coisa que você for tentar é bom conversar com o médico primeiro. Read the rest of this entry

O bebê virou!

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Início de gravidez é sempre algo meio mágico, meio místico. A minha começou com uma insegurança mas logo eu me joguei a sensação sublime que é estar grávida, contei um pouco do começo da gravidez aqui. Mas o tempo vai passando e as vida na Terra não dá trégua!

Qualquer mãe grávida sabe o quanto a gente precisa de mexer e mudar na casa quando um bebê está a caminho. Aqui em casa então isso foi muito necessário, pois só temos um quarto e sala (ainda). Então eu tirei um milhão de roupas do meu guarda-roupa, que não cabiam mais em mim e só ocupavam espaço desnecessário e coloquei numa caixa. Um dia eu já não aguentava mais aquela caixa no meio da sala –  meu marido estava em época de provas finais e mal parando em casa – e resolvi então colocar aquela caixa em cima do guarda-roupa para desocupar o espaço. E a maldita estava extremamente pesada. Meu marido a retirou de cima do guarda-roupa esses dias e quase não aguentou. Ele re-brigou comigo. No dia que eu a coloquei lá em cima, quando ele viu o que tinha feito, ele brigou. Aliás toda vez que tocamos nesse assunto ele briga comigo. Lembro que quase caí da cadeira na hora que ela ficou por cima da minha cabeça, de tão pesada que ela estava. Até hoje me pergunto, se essa caixa tem alguma coisa a ver como fato da minha filha, exatamente nesse dia, ter mudado a posição dela. Até então ela estava na posição ideal para nascer.

Eu estava na minha 32a semana, nessa noite eu senti muita dor na barriga. Os pezinhos que eu tinha mania de perseguir onde geralmente se encontrava antes meu estômago, pareciam de repente pisar em todos os meus outros órgãos internos. Eu nunca imaginei que sentiria algo como um furacão acontecendo dentro da minha barriga, mas acreditem, é possível.

O dia amanheceu e eu tinha minha consulta com a médica, essa era a terceira ultrassom padrão onde os dados sobre o bebê seriam anotados na caderneta de gravidez. Eu cheguei já no consultório e avisei à médica: “Eu acho que ela virou. Senti a noite.” Minha médica sempre falou que achava muito interessante eu saber o que estava acontecendo com Marina na barriga, sua posição, saber onde estavam os bracinhos, pezinhos etc. Segundo ela, isso não é tão comum numa primeira gravidez. Para minha tristeza mais uma vez uma certeza se concretizava. “Realmente, ela virou!” Marina estava na chamada apresentação pélvica, ou seja, de bumbum para baixo. Enquanto a partir dessa semana todos os outros bebês viram para a posição correta para nascer, Marina fez o caminho inverso.

E assim que começamos a fazer parte dos 3 a 4% de casos de apresentação pélvica. E agora, o que fazer? Isso é assunto para um próximo post…